sábado, 23 de junho de 2012

"A hora da partida"


A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.


"Sophia de Mello Breyner Andresen"

1 comentário:

Orvalho do Céu disse...

Olá,
A gente se sente estranha a nós mesmos... em certos sentimentos...
Abraços fraternos de paz