quarta-feira, 27 de junho de 2007

Brincar



Pé firme leve dança
Que o saber seja adulto
Mas o brincar de criança

"Agostinho da Silva"

sábado, 23 de junho de 2007

A Desenhadora de Malvas


Isabel Fraga vai lançar o seu próximo livro " A Desenhadora de Malvas"

O lançamento terá lugar na Livraria Bulhosa de Entre Campos, no dia 02.07, pelas 18,30.

Lá estarei.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Duplo sentir


Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.
Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.
"Alberto Caeiro"

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Os Açores

                                                                 



 



Fui aos Açores a primeira vez faz em Agosto 28 anos. Sempre sentira grande fascinio por aquelas ilhas de que se falava na escola tão superficialmente.
Fiquei apaixonada e passados anos sempre que precisava retemperar forças e alcançar alguma tranquilidade, lá ia eu.
Passei a sonhar com o dia que me fosse possível ir para lá viver. E quando um dia se proporcionou a realização desse sonho, não hesitei.
Conhecendo já 6 ilhas, aproveitei a oportunidade para conhecer as restantes. Não há duas iguais, impossível dizer qual a mais bela.
Se existe Paraiso na terra, ele está ali.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Por este rio acima


Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

"Fausto"

terça-feira, 5 de junho de 2007

Se eu pudesse...


                              
Se eu pudesse voar... eu voava.
Se eu pudesse partir... eu partia.
Se eu pudesse ficar... eu ficava.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

O caminho para o eterno


Será que todos procuramos um caminho para o eterno?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Os dias não passam....


Quando os anos passam a correr... e os dias nunca mais passam!

domingo, 27 de maio de 2007

Fotógrafos


Quem faz fotografia sabe que os fotógrafos são uns "chatos".
Já tentei levar pessoas amigas comigo, mas desisti de o fazer, porque passado uma hora no máximo, transformaram-se nos meus piores inimigos. Tal é o tempo que levamos a estudar o enquadramento, a esperar por aquela luz especial, etc. etc.
De facto é uma acto muito solitário, ou companhia... só mesmo outro "chato"!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

É urgente o amor



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

"Eugénio de Andrade"

ps. para AC, para que atentamente o leia e nunca o esqueça.

terça-feira, 22 de maio de 2007

As 8 Estações



Hoje fui ao CCB ouvir as Vivaldianas.
As Vivaldianas são uma orquestra de câmara formada por 14 elementos femininos, que actuam na orquestra Gulbemkian.
Muitas das obras de Vivaldi foram compostas, com fins didácticos, para as alunas que frequentavam a escola de Veneza, reservada a crianças desprotegidas do sexo feminino, e onde ele era professor.
Foi neste enquadramento que surgiram as Vivaldianas.
Intitulado as 8 Estações, este concerto foi composto pelas 4 Estações de Vivaldi e as 4 Estações de Astor Piazzola, como se de um "despique", separado por mais de 2 séculos, se tratasse.
Valeu a pena ir ao CCB neste dia triste e chuvoso.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Folhas breves


Somos folhas breves onde dormem
aves de silêncio e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.
Inseguros, incapazes de ser flor,
até a brisa nos perturba e faz tremer.
Por isso a cada gesto que fazemos
cada ave se transforma noutro ser.


"Eugénio de Andrade"

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Juntos




Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia
As palavras que disseres e eu disser
Serão sómente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento
O belo dia liso como um linho
Interminàvel será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

"Sophia de Mello Breyner Andresen"

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Espera

 
  Eugénio de Andrade é ,para mim, o maior poeta português. "Cantou" o amor como ninguém. Quando fiz esta fotografia lembrei-me deste poema. Gostaria que fossem minhas estas palavras que se seguem... mas foi ele que as soube escrever.
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Aqui onde o exílio
dói como agulhas fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.
Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da
garganta
e no silêncio desapareça.


"Eugénio de Andrade"


sábado, 5 de maio de 2007

O Mar

                                                                       

O mar é algo que sempre me intimidou, mas tive a sorte de poder viver num Paraiso rodeado de mar: os Açores.
Olhar aquela imensidão, foi muitos dias o meu "porto de abrigo"onde busquei e encontrei uma grande tranquilidade.
Hoje o mar continua a intimidar-me, mas não posso viver sem ele, qual apelo para o abismo.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Aguarelas

Lisboa

Alentejo



terça-feira, 24 de abril de 2007

Pintar

Alentejo

Quando eu era miuda e vivia numa pacata vila ribatejana, ia muitas vezes sózinha, para o alto de um cabeço (monte), que havia perto de minha casa e de onde se avistava o rio e toda a leziria.
Levava debaixo do braço, papel, aguarelas e pincéis e aí passava toda a tarde a pintar.
Entretanto cresci, a vida tomou outro rumo, e "arrumei" os pinceis.
Foi bom quando passados todos estes anos, voltei a pegar neles.
A sensação continua a mesma:
Uma enorme PAZ.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Álccol

 

Ver pessoas sob o efeito do álccol foi algo que sempre mexeu comigo. Não sei porquê, pois nunca em minha casa vi alguém sequer com um "grãozinho na asa".
Há dias, quando deambulava pelas ruas de Arraiolos, com a máquina fotográfica a tiracolo, um senhor, sentado num banco com uma amigo, chamou-me e disse "tire-nos aqui um retrato".
Prontifiquei-me a fazê-lo. "espere" disse ele, pegando num saco de plástico, e puxando para fora apenas o gargalo de uma garrafa (terá sido "consciência" ou vergonha" que o fez mantê-la escondida?). "agora já pode tirar".
Disse-me então " sabe, quando fui para Inglaterra, comprei uma Kodak".
Estranhamente senti ternura.

sábado, 14 de abril de 2007




mal me quer, bem me quer, muito....

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A minha amiga Isabel


Quando há cerca de 1 ano, decidi ir com o meu grupo de praticantes de Tai-Chi, ao passeio mistério que a Junta de Freguesia do meu bairro proporciona aos reformados,não imaginei que nesse dia ia conhecer aquela que é hoje uma grande amiga.
Tal como eu, a Isabel chegou, olhando um pouco assustada para tamta gente. Mais de 200 pessoas são, para ambas, uma multidão.
"Encostámo-nos" uma à outra e lá fomos. Conversámos todo o caminho e logo nasceu uma grande empatia. Sabe-se lá porquê! Sabe-se lá porque gostamos, ou não, de outra pessoa! Na amizade como no amor, o melhor é não procurar explicações!
Passámos a encontrar-nos para tomar o nosso cafézinho e um dia a Isabel trouxe-me um livro e disse "gostava que lesses. Fui eu que escrevi." E trouxe-me outro, e outro e outro... "Apaixonei-me" pela sua escrita!
Mais conhecida como tradutora do Harry Potter, Isabel Fraga é uma escritora duma profunda sensibilidade poética. Tem livros de poesia e prosa publicados em Portugal e França.
Nada mediática, recusa entrevistas para a televisão, limitando-se a dá-las para jornais ( não tenho que me expor tanto, diz ela).
Aspecto falsamente frágil, olhar um pouco triste, Isabel não é dada a grandes risadas, mas quando fazemos as nossas caminhadas (para manter a linha, dizemos nós), é bom ouvir as suas gargalhadas com as minhas "tonterias".
Conversamos muito, de tudo e de nada, aceitamo-nos como somos, parecidas em muita coisa e diferentes noutras, com qualidades e defeitos que temos, como toda a gente, aceitamo-nos e respeitamo-nos e nisso se baseia a nossa amizade.
Quando um dia, falando de esoterismo, espiritualidade, etc., eu que sou céptica, (e ela sabe-o) lhe disse " sabes, eu noutra encarnação fui Princesa". Ela parou, olhou para o meu 1,70m e disse no seu subtil sentido de humor " Porte... tu tens ! ". Claro que desatámos as duas a rir!
Fala com muita ternura dos Avós paternos que a criaram. Na sua dedicatória ao Avô, no livro "Seres Sentidos, diz " Ao meu Avô Urbano da Palma Rodrigues, que me ensinou a amar de alma para alma". Fala do Monte perto de Moura onde viveu até aos 8 anos. Fala com muita ternura e admiração de seu Pai o escritor Urbano Tavares Rodrigues, de quem diz lhe ter dado a ler livros, sempre na idade errada. Fala com muita saudade da Mãe, a escritora Maria Judite de Carvalho, falecida há 8 anos e de quem diz lhe ter dado a ler livros, sempre na idade certa. Fala com ternura do marido, investigador da 1ª guerra mundial e ensaísta, Luis Fraga, das duas filhas e da neta que vai nascer e que vai chamar-se Maria Judite, como a Bisavó. (Já andamos as duas a tricotar o enxoval).
Isabel fala com ternura dos amigos e de toda a gente que se cruzou com ela ao longo da vida, porque Isabel é assim: um ser muito, muito bonito!
Isabel Fraga vai brevemente publicar mais um livro.
Há dias disse-me " será o meu último livro. Não vou escrever mais ! ". Mas nós não vamos deixar. Uma pessoa que escreve como ela o faz, nunca pode parar de escrever.
Eu gosto muito da Isabel. Sei que posso sempre contar com ela, mas ela também sabe que pode sempre contar comigo.
É BONITA a nossa amizade.

domingo, 8 de abril de 2007

Descobrimento


Saudavam com alvoroço as coisas
Novas
O mundo parecia criado nessa mesma
Manhã


"Sophia de Mello Breyner Andresen"

sábado, 7 de abril de 2007

Um dia serei o mar....


Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.
Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.
Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo
Então serei o ritmo das paisagens,
E secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens

"Sophia de Mello Breyner Andresen"

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Vida


Na vida temos sempre momentos a Preto e Branco e a Cores.