terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
A Neve
A NEVE PÔS uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.
"Alberto Caeiro"
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Passeando por aí...,
Por terras da Prima Isabel
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
A volta ao mundo
É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...
"Miguel Torga"
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...
"Miguel Torga"
sábado, 23 de janeiro de 2010
Madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se deságua no Rossio.
Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.
Sou a gaivota
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.
O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!
"Ary dos Santos"
domingo, 17 de janeiro de 2010
A velha Ponte
PONTE DE VALE DE TELHAS S/RIO RABAÇAL.
Trata-se de uma ponte de origem romana, profundamente transformada nas épocas medieval e moderna. Tem um tabuleiro em cavalete lançado sobre o rio Rabaçal, com uma largura máxima de cerca de quatro metros, assente em cinco arcos de volta perfeita, em cantaria, com pegões cegos. O arco central é o que regista maior amplitude enquanto os restantes são de menores dimensões mas desiguais entre si, sendo o mais próximo da margem aquele que tem uma abertura mais reduzida.
presenta quatro talha-mares triangulares de ambos os lados da ponte, altos, escalonados e de remate piramidal, implantados no espaço entre os arcos. Conserva seis gárgulas, uma por cima de cada talha-mar e as duas restantes por cima dos arcos mais próximos da margem.
O pavimentoé em lajes de granito e conserva um parapeito e guardas em cantaria. O aparelho dos paramentos é em fiadas pseudo-isódomas, mas revela os sucessivos arranjos ao incorporar silhares com marca de "forfex" e outros siglados. O intradorso do arco preserva uma série de agulheiros para encaixe dos cimbros.
presenta quatro talha-mares triangulares de ambos os lados da ponte, altos, escalonados e de remate piramidal, implantados no espaço entre os arcos. Conserva seis gárgulas, uma por cima de cada talha-mar e as duas restantes por cima dos arcos mais próximos da margem.
O pavimentoé em lajes de granito e conserva um parapeito e guardas em cantaria. O aparelho dos paramentos é em fiadas pseudo-isódomas, mas revela os sucessivos arranjos ao incorporar silhares com marca de "forfex" e outros siglados. O intradorso do arco preserva uma série de agulheiros para encaixe dos cimbros.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Lágrimas
Lágrimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida
De quando hei-de perdê-las.
Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei-de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva
Diurna da ampla terra.
"Ricardo Reis (Fernando Pessoa)"
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Os meus jardins suspensos,
Sentires
domingo, 3 de janeiro de 2010
Simbolos
Mas dizem-me que tudo é símbolo.
Todos me dizem nada.
Quais símbolos? Sonhos. –
Que o sol seja um símbolo, está bem...
Que a lua seja um símbolo, está bem...
Que a terra seja um símbolo, está bem...
Mas quem repara no sol senão quando a chuva cessa,
E ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas
Para o azul do céu?
Mas quem repara na lua senão para achar
Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?
Mas quem repara na terra, que é o que pisa?
Chama terra aos campos, às árvores, aos montes.
Por uma diminuição instintiva,
Porque o mar também é terra...
Bem, vá, que tudo isso seja símbolo...
Mas que símbolo é, não o sol, não a lua, não a terra,
Mas neste poente precoce e azulando-se
O sol entre farrapos finos de nuvens,
Enquanto a lua é já vista, mística, no outro lado,
E o que fica da luz do dia
Doura a cabeça da costureira que pára vagamente à esquina
Onde demorava outrora com o namorado que a deixou?
Símbolos? Não quero símbolos...
Queria – pobre figura de miséria e desamparo! –
Que o namorado voltasse para o costureira.
"'Alvaro de Campos"(Fernando Pessoa)
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Mar
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
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Há mar e mar...,
O final do dia,
Sentires
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Minas do Lousal
Integrada na Faixa Piritosa Ibérica, que, com cerca de 250 km de extensão e uma largura que chega a atingir os 40 km, tem início no vale do Sado e prolonga-se até ao vale de Guadalquivir, próximo de Sevilha (Espanha), a mina do Lousal (situada na freguesia de Azinheira dos Barros, concelho de Grândola, distrito de Setúbal) foi explorada entre 1900 e 1988, data em que foi dada como encerrada a sua actividade extractiva.
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Lugares com História,
Passeando por aí...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Outono
Outono vem em vulvas claridades...
Vamos os dois esp'rá-los de mãos dadas:
Tu, desfolhando as rosas das estradas,
E eu, escutando o choro das saudades...
Outono vem em doces suavidades...
E a acender fogueiras apagadas
Andam almas no céu ajoelhadas...
E a terra reza a prece das Trindades.
Choram no bosque os musgos e os fetos.
Vogam nos lagos pálidos e quietos,
Com gôndolas d' oiro, as borboletas.
Meu amor! Meu amor! Outono vem...
Beija os meus olhos roxos, beija-os bem!
Desfolha essas primeiras violetas!...
"Florbela Espanca"
domingo, 29 de novembro de 2009
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
"Fernando Pessoa"
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
"Fernando Pessoa"
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Tacteio a claridade
Cego, tacteio em vão a claridade;
Louco, cuspo no rosto da razão;
E deambulo assim
Dentro de mim
Negação a negar a negação.
"Miguel Torga"
domingo, 15 de novembro de 2009
A Vigia da baleia
A caça à baleia nos Açores iniciou-se no princípio do século XVIII e terminou no ano de 1987.
Na altura da caça à baleia eram utilizadas vigias que se localizavam junto ao mar e serviam para orientar os barcos em direcção às baleias.
Hoje em dia estas mesmas vigias são utilizadas para detectar os cetáceos dando indicação aos barcos de Wale watching.
Na altura da caça à baleia eram utilizadas vigias que se localizavam junto ao mar e serviam para orientar os barcos em direcção às baleias.
Hoje em dia estas mesmas vigias são utilizadas para detectar os cetáceos dando indicação aos barcos de Wale watching.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
"Meninas vamos à escola"
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Aldeias de Xisto
Comareira
Aigra Nova
Pena
Gondramaz
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
à espera de um movimento:
de searas onduladas
pel vento
De casas de moradias
Caídas e com sinais
de ninhos que outrora havia
nos beirais.
De poeira;
de sombra de uma figueira;
de ver esta maravilha: meu pai a erguer uma videira
como uma mãe que faz uma trança à filha.
"Miguel Torga"
Aigra Nova
Pena
Gondramaz
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
à espera de um movimento:
de searas onduladas
pel vento
De casas de moradias
Caídas e com sinais
de ninhos que outrora havia
nos beirais.
De poeira;
de sombra de uma figueira;
de ver esta maravilha: meu pai a erguer uma videira
como uma mãe que faz uma trança à filha.
"Miguel Torga"
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
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